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Uma reportagem divulgada pela BBC na última segunda-feira (31) trouxe apreensão para muitas pessoas que contraíram a covid-19 e se recuperaram, uma multidão que já ultrapassa os 17 milhões no mundo (3,3 milhões só no Brasil). A publicação fala dos pacientes que não readquiriram totalmente o sentido do olfato.

O fenômeno, conhecido como anosmia, provoca distorções olfativas que fazem com que as coisas, literalmente, não cheirem bem. Considerada uma das sequelas mais incômodas deixadas pelo novo coronavírus, seus sintomas têm sido relatados por vários infectados no mundo inteiro.



Para saber como funciona a anosmia, é necessário entender o funcionamento do olfato. Pois bem: na parte superior da nossa cavidade nasal, existe um tecido chamado epitélio olfativo. Ele tem neurônios e células sensoriais. Quando cheiramos algo, essas estruturas mandam um sinal para o cérebro processar a informação.

A grande contribuição do olfato na percepção do sabor faz com que sua perda mude de forma terrível a experiência de se alimentar. Cheirar a comida não apenas a torna mais saborosa, como também nos motiva a desejar comer, a cozinhar e a ir a restaurantes.

Uma das pessoas entrevistadas pela BBC, uma mulher, 38 anos, passou 4 semanas sem conseguir sentir cheiro algum, após adoecer em março com suspeita de covid-19. Depois de uma recuperação parcial, a situação piorou em meados de junho, quando as coisas “começaram a ter um gosto muito estranho”.

Desesperada, ela lamentou: “Adoro comer, sair para restaurantes, beber com meus amigos, mas isso já era. Carne agora tem gosto de gasolina, e vinho parece maçã podre. Se meu namorado come alguma comida com curry, seu cheiro passa a ser horrível, sai por todos os poros dele, e eu não consigo nem ficar perto”.



A boa notícia para ela e muitos outros é que, de acordo com o líder da pesquisa de Harvard, o neurobiólogo Sandeep Robert Datta, o estudo concluiu que, por não afetar diretamente os neurônios, a perda de olfato da covid-19 não é permanente.