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A possibilidade dos filhos de famílias pobres terem uma renda melhor que a dos pais avançou no Brasil nas últimas duas décadas, segundo pesquisa feita no Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/IBRE).

De acordo com o estudo, a associação entre a renda dos pais e a de seus filhos caiu 20 pontos percentuais entre 1996 e 2014, passando de 0,75 para 0,55 em uma escala que vai de zero a um. A diferença de renda entre gerações é um indicador importante para medir as condições de igualdade de oportunidades de uma dada sociedade.



Quanto menor for o peso da renda dos pais sobre a dos filhos, maior é a mobilidade social naquele grupo — o que indica que as chances de ter sucesso na vida estão melhor distribuídas. No Brasil, essa mudança ficou mais evidente entre os mais pobres. Nesse estrato da população, a associação entre a renda das duas gerações caiu 40%.

“Até o final da década de 1980, havia uma grande desigualdade de acesso à escola. Os filhos das famílias mais pobres frequentavam no máximo os primeiros anos do ensino fundamental enquanto os filhos das famílias mais ricas chegavam até a faculdade”, afirma o economista Daniel Duque, autor da pesquisa.

Dados mostram que na década de 1980, cerca de 25% das crianças entre 7 e 14 anos e quase metade dos adolescentes com idade entre 15 e 17 anos estavam fora da escola. Em 2001, esses números já tinham caído para 2% e 15%, respectivamente. Mas o Brasil ainda tem um longo caminho a trilhar para garantir igualdade de oportunidades a todos.

Pesquisa do IBGE de 2017 mostra que apenas metade dos filhos conseguem melhorar de lugar na pirâmide social com relação aos seus pais e que só 1 em cada 5 daqueles que saem da base conseguem, de fato, chegar ao topo.



Ao mesmo tempo, metade dos brasileiros com mais de 25 anos tinham concluído apenas o ensino fundamental até 2016, segundo dados do IBGE — um indício de que, para se ter uma sociedade mais justa, o Brasil precisa resolver seu problema educacional.

Fonte: Exame