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Um banqueiro rico criou há quase 500 anos um modelo de condomínio para
abrigar 150 pessoas carentes – que existe e se mantém até hoje arborizado,
pintado e funcionando perfeitamente.

Elas pagam apenas um dólar (cerca de R$ 3,20) de aluguel por
ano, valor que não sobe desde o século 16, quando era cobrado em
florins.

A comunidade de Fuggerei, conhecida como “o projeto
habitacional mais antigo do mundo”, fica na cidade de Augsburg, na Baviera,
Alemanha.

As pessoas vivem em casas pitorescas, algumas atravessaram os séculos
com suas fachadas quase inalteradas.



“Somos uma pequena comunidade e nos damos bem”, disse Ilona Barber, 66,
à BBC Mundo.

O complexo é um dos principais atrativos de Augsburg: recebe cerca de
180 mil visitantes por ano.

Ele tem um museu, um apartamento-modelo e um bunker construído
durante a Segunda Guerra Mundial.

O complexo conta com uma igreja e um padre, que também vive ali.

Rico e caridoso

Fuggerei foi fundado em 1521 pelo banqueiro Jakob Fugger, para ajudar os
necessitados da cidade.

Fugger era um personagem tão importante em sua época que foi até
imortalizado por Albrecht Dürer, o pintor mais famoso do Renascimento alemão.

“Fugger nunca foi celebrado como Cosimo de Medici e seus filhos e primos
florentinos”, disse a revista britânica Economist.

“Mas era o melhor banqueiro. Se hoje estivesse vivo, teria arrasado em
Wall Street ou na City (o distrito financeiro) de Londres.”

Originário de uma família abastada, ele conseguiu elevar a sua fortuna
familiar com operações comerciais e em mineração.

Mas o sucesso também lhe rendeu críticas, inclusive de Martinho Lutero,
o grande impulsionador da reforma protestante.

“Lutero perguntou se era um desígnio de Deus que tanta riqueza e
influência ficassem concentradas nas mãos de uma só pessoa”, descreve o diário
financeiro Financial Times em um artigo sobre Fuggerei
publicado en 2008.

Para aplacar as más línguas, o banqueiro criou também um fundo em nome
do santo local, São Ulrich, mediante uma doação de 10 mil florins.

Isso garantiria recursos suficientes para manter o funcionamento das
organizações de caridade que criou.

Os investimentos da família ao longo dos séculos e os juros que eles
renderam asseguraram a sobrevivência de Fuggerei até a atualidade.

 

Regras

Para viver em Fuggerei, além de necessitado por motivos econômicos, era
preciso ser católico e rezar três vezes por dia.

As mesmas condições continuam valendo hoje em dia, mas segundo Astrid
Gabler, porta-voz de Fuggerei, a decisão de cumprir ou não com as orações é
individual, de cada morador.

Há outras exigências: as portas, por exemplo, são fechadas às 10h da
noite.

Quem volta para casa depois desse horário precisa pagar uma multa entre
50 centavos de euro e um euro (entre R$ 1,80 e R$ 3,60), dependendo da hora.

Moradores ajudam

A aposentada Ilona Barber diz que se considera uma pessoa de sorte.
Conta que a pensão que recebe do Estado é “muito limitada” e que não seria
suficiente para pagar um aluguel na cidade.

Todas as manhãs ela sai para uma caminhada com seu vizinho de baixo,
Friedrich Fischer, de 95 anos. Fischer vive en Fuggerei desde antes da Segunda
Guerra Mundial.

“Nós, moradores, fazemos trabalhos para a comunidade. Eu agora estou
encarregada da vigilância durante a noite”, afirma a aposentada.


Rebrodução:SóBoaNoticia Com informações da BBC