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Jenna Karvunidis ainda tem na parede de casa a reportagem de uma revista sobre o chá de revelação que ela fez em 2008. Por causa disso, a americana é apontada como a criadora desse tipo de festa, em que casais descobrem junto com amigos e familiares o sexo de seu bebê. Mas a criadora diz hoje que não gostaria que apontassem ela como criadora dessa moda.

Bianca (ao centro) é a primeira filha de Jenna, que ganhou o chá revelação na época (Arquivo pessoal/Reprodução).

“Não sou eu que digo que criei, é algo que dizem sobre mim, e adoraria que provassem que não fui eu. Já me arrependi e me senti culpada e responsável por isso”, afirma. Ela explica que esse sentimento se deve em parte à dimensão e os caminhos que o chá de revelação tomou. “Hoje, as pessoas explodem coisas para revelar o sexo do bebê, tem gente morrendo por causa disso, há incêndios em florestas, estão usando animais”, diz.



Como tudo começou. Ela teve a ideia de fazer um chá de revelação quando ficou grávida, há 11 anos. Ela buscava uma forma de animar sua família sobre a chegada de seu bebê, porque seus parentes não pareciam estar dando muita atenção à novidade, já que seu irmão havia tido um filho pouco tempo antes. Foi quando ela decidiu preparar dois bolos, um com recheio azul e outro com recheio rosa, entregar o resultado de seu exame para uma cunhada e pedir para que ela levasse à festa o bolo correspondente ao sexo indicado pelo teste. Ao cortar uma fatia, todos descobriram juntos que seria uma menina.

Sobre os efeitos negativos do chá revelação que a criadora apontou, em outubro deste ano, uma mulher morreu em uma festa deste tipo nos Estados Unidos após ser atingida por um estilhaço de um explosivo caseiro, que deveria liberar um pó rosa ou azul para indicar o sexo do bebê.

No ano passado, um homem disparou contra um alvo que explodiria para revelar o sexo de seu filho e causou um enorme incêndio no Estado do Arizona. O fogo durou mais de uma semana e fez com que centenas de pessoas tivessem de ser evacuadas de suas casas.

Essas coisas fizeram ela repensar seu orgulho inicial de ter ajudado a criar o chá de revelação. “Virou algo tão agressivo. Não é mais só um bolo para compartilhar uma boa notícia. Deveriam ter me avisado que se tornaria essa coisa toda”, diz ela.