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Quando é pra ajudar não existe religião, nem preconceito. Evangélicos estão ajudando a reconstruir o terreiro de candomblé de Conceição dLissá, que fica em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. O espaço, que já tem 17 anos, foi destruído em um incêndio provocado por intolerância religiosa em 2014.

Na época presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do estado (Conic-Rio), a pastora Lusmarina Campos, organizou a campanha de arrecadação, concluída no fim do ano passado, para a reconstrução do templo. O grupo arrecadou mais de R$ 12 mil reais – a maior parte de fiéis da Igreja Cristã de Ipanema – e entregou o dinheiro no ano passado, em uma cerimônia inter-religiosa, juntando várias religiões, no terreiro de Conceição.

A pastora Lusmarina Campos é da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e foi ao local acompanhada de três voluntários para, pessoalmente, ajudar na remoção de entulhos – tijolos e pedaços de madeira que faziam parte do segundo andar do terreiro. Mas alguns dos que participaram da reconstrução tiveram de enfrentar críticas e ameaças, principalmente na internet e nas redes sociais.



Lusmarina conta que um youtuber evangélico gravou um vídeo em que incentiva outras pessoas a agredirem. Aquele foi o oitavo ataque ao local de culto da mãe de santo. Antes, tiros haviam sido disparados contra o templo. Três carros que pertenciam a candomblecistas de seu grupo foram queimados. A polícia até hoje não identificou os responsáveis pelos crimes.

A boa ação dos evangélicos foi elogiada pelo babalaô Ivanir dos Santos, interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa. Esse ato é um divisor de águas na luta contra a intolerância religiosa no país, disse ele.

No ano passado, 71,5% dos casos de intolerância religiosa registrados no Rio de Janeiro foram contra grupos de matriz africana, segundo a Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos.

Fonte: Só Notícia Boa