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Em pelo menos um momento do seu dia você foi ou será atingido por um conteúdo viral — seja uma figurinha no WhatsApp, posts no Instagram sobre a vida entediante em quarentena ou os famosos memes.



Viktor Chagas, que é professor e pesquisador em comunicação da Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro, e coordenador do projeto Museu de Memes, explica que esses conteúdos cômicos da internet são uma espécie de reflexo de nossos ambientes de conversação. “Então, quanto mais um tema emerge em nossos círculos sociais, no noticiário ou ganha impulso e circulação nas próprias mídias sociais, mais vemos se intensificar a produção de memes”, disse.

O conceito de “meme”, aliás, nasceu de um biológo (Richard Dawkins, no livro “O Gene Egoísta”, da década de 1970).  A intenção era batizar uma unidade de informação cultural – assim como gene é uma unidade de informação genética.

Na busca por uma palavra que lembrasse gene, o autor reduziu o termo grego mimesis (imitação).

Em significado, a palavrinha divertida de duas letras e duas sílabas está para a memética assim como o gene está para a genética. Portanto, a memética é o estudo dos memes.



“Um bom exemplo daquilo que é potencialmente memético está na indústria cinematográfica, porque ela é capaz de causar nas pessoas a vontade de imitação. A expressão “Pede pra sair!” do personagem Capitão Nascimento no filme “Tropa de Elite” é um meme, assim como piadas, provérbios, aforismos, jingles e qualquer outro conhecimento massificado.”

Para o criador do termo, os memes podem ser ideias, fragmentos de ideias, símbolos, sons, valores estéticos ou morais e outras tantas propriedades intelectuais. “

Tal qual um vírus, os memes se espalham em velocidade imensurável e dominam o debate. Segundo estudo da Diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP) da FGV, postagens com humor ou piadas compreendiam 42% das reações sobre o novo coronavírus nas redes sociais, em fevereiro.

Nos meses seguintes, com o aumento gigantesco dos casos de covid-19, os memes se tornaram também “aliados” na divulgação de informações sobre prevenção do vírus, como cuidados de higiene e uso do álcool em gel. 

O professor Chagas, do museu dos memes, também concorda que a linguagem bem-humorada tem cumprido um papel importante nos meios virtuais. “Os memes tratam de questões como a necessidade de prevenção e isolamento dos idosos, quando os próprios idosos têm resistência a ficar em casa. Nesses e em outros casos, os memes estão cumprindo um papel fundamental. Não bastasse isso, ainda contribuem para conferir um certo alívio cômico ao momento que estamos todos passando, o que não é menos relevante. Os memes ajudam na manutenção dos laços sociais em um período de distanciamento“, afirmou o pesquisador.

Além do teor didático e social, é óbvio que os memes são feitos preferencialmente para te fazer rir (mesmo que da própria tragédia). Essa “capacidade analgésica” do humor na internet ajuda a lidar com o estresse nesse período de isolamento. Fato é que a saúde mental tem sofrido grandes impactos durante a pandemia.