Compartilhe

Na semana em que o mundo marcou 6 meses da crise do coronavírus, uma informação preocupou o Brasil. Com mais de 60 mil mortos e quase 1,5 milhão de infectados no País (na quinta-feira 2), o governo federal aplicou apenas 29,3% dos recursos que declarou ter disponibilizado ao Ministério da Saúde para combater a pandemia.

Os dados são do Painel do Orçamento Federal, elaborado com informações do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop). Até agora, o Ministério gastou R$ 11,5 bilhões, de um total de R$ 39,3 bilhões que o governo afirma ter liberado.



O fato de essa verba ainda não ter sido aplicada em ações práticas é mais uma evidência da inoperância e da falta de comando do governo, especialmente na área da saúde. Para os especialistas, as interferências atabalhoadas do presidente do Brasil têm sido cruciais para agravar o problema.

Enquanto isso, o mesmo governo publicou, na segunda-feira (29), no Diário Oficial da União (DOU), medida editada por meio da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) que obriga os planos de saúde a realizar testes sorológicos para detecção do coronavírus. Com isso, os beneficiários de planos ambulatorial, hospitalar ou de referência, com sintomas associados à Covid-19 – como tosse, fraqueza e febre – podem realizar o teste sem custos extras.

“Vemos com preocupação o que ocorre no Brasil. Infelizmente, Bolsonaro subestimou as consequências da Covid-19. Agora, estamos vivendo as consequências” disse Francesco Rocca, presidente da Federação Internacional da Cruz Vermelha.

Agora, é oficial. A pandemia jogou o Brasil numa recessão. A conclusão é do Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace), da Fundação Getulio Vargas (FGV). O grupo identificou um pico no ciclo de negócios do País, no quarto trimestre de 2019, configurando que a economia entrou em recessão já no primeiro trimestre deste ano. O relatório destaca que esse pico “representa o fim de uma expansão econômica que durou 12 trimestres”.



O texto se refere ao período que vai do primeiro trimestre de 2017 ao último do ano passado. São várias as formas utilizadas para identificar quando uma economia entra em recessão. Uma delas é a recessão técnica, quando o Produto Interno Bruto (PIB) registra dois trimestres seguidos de queda. Uma outra aponta recessão quando há redução generalizada na atividade econômica, mesmo sem tombo do PIB em dois trimestres consecutivos. Esse é o conceito usado pelo Codace. Entre os indicadores analisados estão nível de emprego, comércio exterior e investimentos.

No primeiro trimestre deste ano, o PIB do Brasil sofreu redução de 1,5%. E deve piorar. Para o segundo trimestre, a estimativa é de queda de 9,8%. Para 2020, as projeções para o PIB nacional vão de baque de 6,54%, do boletim Focus, do Banco Central, a redução de 9,1%, segundo o Fundo Monetário Internacional. Se um dos dois acertar, será o maior tombo da economia brasileira nos últimos 120 anos.

Fonte: Isto É