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O Turcomenistão proibiu o uso da palavra “coronavírus”. O regime autoritário do país baniu termo de publicações oficiais e passou a prender pessoas que usam máscaras na rua ou que mencionam a pandemia em público. O governo tem implementado uma política extrema que parece seguir o lema escapista, que tende a fugir à realidade: “o problema não existe se você não falar dele”.

O governo do país já vinha afirmando de maneira pouco convincente não ter registrado nenhum caso de coronavírus. Agora, quer banir até mesmo o uso do termo da vida pública. Segundo a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF), o autoritário e excêntrico ditador do país, Gurbanguly Berdimuhamedow, determinou que a palavra desapareça por completo da mídia estatal e até mesmo de conversas privadas.



De acordo com a ONG, a população de 5,8 milhões foi proibida de usar a palavra em público. Agentes do país começaram a prender pessoas que foram ouvidas falando sobre a doença ou que estavam usando máscaras na capital do país, Asgabate.

Segundo a rádio, o termo “coronavírus” também foi retirado de brochuras que vinham sendo distribuídas pelo governo em hospitais e escolas para incentivar a população a combater o vírus. Em vez de “coronavírus” ou “covid-19”, os folhetos passaram a usar expressões genéricas como “enfermidade” ou “doença respiratória”.

O país até tem tomado algumas medidas para conter a doença, como o fechamento de fronteiras e a imposição de bloqueios nas estradas, mas com a doença permanecendo um tabu, medidas como o isolamento da capital do resto do país estão sendo executadas sem qualquer anúncio prévio.

O ditador do Turcomenistão, que governa o país desde 2007, tem formação em odontologia. Ele serviu como ministro da Saúde do seu antecessor e é conhecido pelos hábitos excêntricos, como uma paixão quase obsessiva por cavalos e carros de luxo.