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Ele pode estar na bolsa, na calça jeans ou sobre a mesa, não importa; vez ou outra, a gente tem aquela sensação de que o celular está vibrando. Aí você para, checa o aparelho e nada: nenhuma ligação, nenhuma nova mensagem. Isso é o que os especialistas chamam de síndrome da vibração fantasma.

Ela foi descrita pela primeira vez em um artigo publicado em um jornal norte-americano, em 2003. De lá para cá, cientistas de vários lugares do mundo investigaram a condição e, mais recentemente, pesquisadores das universidades de Indiana e Purdue (EUA) descobriram que estudantes universitários estão mais propensos a sentir os efeitos da síndrome.



De 290 pessoas ouvidas, 258 disseram sentir isso pelo menos uma vez em 15 dias. “É uma sensação apenas, não é uma doença”, diz a psicóloga Anna Lucia King, professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e uma das fundadoras do Instituto Delete, que trata pessoas com dependência tecnológica.

Como estamos conectados o tempo todo, o nosso cérebro aprende que o aparelho pode tocar a qualquer momento, então ficamos na expectativa. Vez ou outra, essa memória é acionada sem que você perceba, e por isso parece ser uma sensação tão real. Apesar de ser algo estranho, você não está ficando louco. Seu cérebro foi treinado para ficar em alerta e, algumas vezes, reage “do nada”.

“É a mesma coisa quando você fica pensando muito em uma comida, por exemplo. Se você fecha os olhos, acaba sentindo o cheiro, o gosto daquilo; ou quando pensa em um limão azedo e já começa a salivar”, explica o psiquiatra Fábio Aurélio Leite. O sinal de alerta deve se acender quando a vibração fantasma acontece várias vezes ao dia e serve de gatilho para aumentar a ansiedade, diz o médico.

Fonte: Uol