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A história do surgimento do baralho e dos jogos de cartas é tão antiga quanto da invenção do próprio papel, com alguns dando a autoria da criação dos baralhos aos chineses, e outros aos árabes.

O fato é que por volta do século XIV as cartas chegaram à Europa, e durante o século XVII já eram mania em todo o ocidente – o carteado veio de Portugal para o Brasil e tomou também nosso país.



Na China, as primeiras cartas que aparecem em relatos históricos, eram fabricadas com marfim ou ossos e jogadas de forma semelhante aos dominós. Quando o baralho chegou à Europa, o papel já havia sido inventado e as cartas eram pintadas uma a uma à mão, por isso eram caras e pertenciam apenas à elite. Com o tempo, métodos de impressão mais baratos surgiram e possibilitaram a reprodução do baralho em maior escala. Os alemães, por exemplo, começaram a usar blocos de madeira para fazer a impressão, o que permitiu que mais decks fossem produzidos e vendidos a um preço muito menor.

Em alguns países, quando a monarquia passou a fazer a tributação do baralho, um carimbo oficial era colocado sempre no ás de espadas. Baralhos contrabandeados, portanto, não possuíam essa marca e toda vez que fiscais do governo pegavam alguém jogando com um desses, a punição acabava sendo a morte. Por essa razão, o ás de espadas foi ganhando a fama de carta da morte.

Para além da cronologia e da historiografia dessa origem, muito se debate sobre o significado das cartas – seus valores, suas divisões, seus naipes, e o motivo por trás de tal estrutura. Uma das mais interessantes leituras sobre os significados das cartas sugere que o baralho é, na realidade, um calendário.

As duas cores das cartas (vermelho e preto) representariam o dia e a noite, e as 52 cartas do tipo de baralho mais comum são precisamente equivalentes às 52 semanas que tem um ano.



Os 12 meses do ano são representados nas 12 cartas com figura (como Rei, Rainha e Valete) que um baralho completo possui.

E mais: as 4 estações do ano também são representadas nos 4 diferentes naipes e, em cada naipe, as 13 cartas que os compõem representam as 13 semanas que cada estação do ano possui.

Mas a precisão do calendário que o baralho é vai ainda mais além: se somarmos os valores das cartas, de 1 a 13 (com o Ás valendo 1, o valete valendo 11, a Dama, 12, e o Rei 13) e multiplicarmos por 4 como são os 4 naipes, o valor é de 364. Os dois coringas ou jokers dariam conta dos anos bissextos – completando assim o sentido do calendário à exatidão.

A origem de tal uso não é clara nem confirmada, mas a matemática precisa do baralho não deixa dúvidas – as cartas foram e ainda podem ser um preciso calendário.