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O estado de São Paulo lidera o número de mortes e internações de ciclistas no Brasil em ocorrências de atropelamento desde janeiro de 2010 até junho de 2020, de acordo com levantamento da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego). O levantamento utilizando dados do SIH (Sistema de Informações Hospitalares) e do SIM (Sistema de Informação de Mortalidade), ambos do Ministério da Saúde.

No período, o número de ocorrências cresceu 57% em todo o Brasil.



Só em São Paulo, pelo menos 1.364 ciclistas perderam a vida no trânsito após colisões com motocicletas, automóveis, ônibus, caminhões e outros veículos de transporte pesado. O estado também lidera o número de internações: 4.546 ao longo de uma década.

Ao todo, o Brasil soma 8.363 mortes e 12.697 internações no período analisado. O custo é de cerca de R$ 15 milhões aos cofres do SUS (Sistema Único de Saúde), segundo a associação.

Mesmo em meio à brusca redução na movimentação social com a chegada da pandemia do novo coronavírus, os ciclistas sendo um dos grupos que mais morre no trânsito, atrás somente dos motociclistas.

Um destes casos foi o da jovem Marina Harkot, de 28 anos, que foi atropelada por um homem que fugiu sem prestar socorro, na zona oeste da capital, no último domingo (9).



Só neste ano, até junho, pelo menos 690 internações foram registradas no Brasil no SUS (Sistema Único de Saúde). Ainda de acordo com o levantamento, 84% dos ciclistas internados eram do sexo masculino e metade dos ciclistas internados tinham entre 20 e 49 anos de idade.

Na última década, houve aumento acentuado no número de internações nos estados do Rio Grande do Norte (1.250%), Pernambuco (678%) e Mato Grosso do Sul (400%).

Roraima se destaca com o menor número de hospitalização de ciclistas por atropelamento: apenas quatro, duas em 2014 e outras duas em 2016, segundo os registros oficiais.

O presidente da Abramet, Antonio Meira Júnior, acredita que a estrutura urbana insuficiente é uma das causas por trás de tantas mortes e acidentes.

“É preciso reconhecer que ao longo dos últimos anos houve melhorias na estrutura de algumas cidades, sobretudo em grandes capitais como Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. No entanto, essas mudanças não acompanharam a crescente demanda de pessoas que utilizam as bicicletas como meio de transporte, esporte ou lazer”, disse.

O Coordenador do Departamento de Atendimento Pré-Hospitalar da Abramet, Carlos Eid, credita o crescimento da demanda à chegada dos aplicativos de entrega.

“Diversos fatores estimulam essa migração, como o excesso de congestionamento nos grandes centros, o preço do combustível e o custo módico do veículo. Por isso, a bicicleta tornou-se opção competitiva de transporte, o que exige ainda mais nossa atenção”, argumentou.

Fonte: R7