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Falar sobre nossas dores e sentimentos é essencial para superar nossos traumas. Fazendo isso somos capazes de reorganizar os nossos sentimentos. O psicólogo Julio Peres conseguiu mostrar que através de uma conversa, o cérebro modifica o seu funcionamento. A pesquisa, tema de doutorado do psicólogo será publicada numa revista internacional de medicina e psicologia.

O psicólogo fez um estudo com 16 pacientes com estresse crônico após algum tipo de trauma, que passaram por 8 sessões de psicoterapia, fazendo uma narração de momentos traumáticos.

Tomografias no final do tratamento revelaram que o funcionamento cerebral foi modificado após a narração. Mas… e quem não pode fazer psicoterapia deve compartilhar seus problemas com alguém? Isso também muda o cérebro?

Sim. Em geral, as pessoas traumatizadas tendem a se isolar. Não compartilham suas histórias. Justamente pela falta de contar e recontar essas histórias, as pessoas ficam com as memórias traumáticas fragmentadas, como medo, sensações ruins dispersas e confusas. Porém, quando se tem a oportunidade de verbalizar o ocorrido, e reconstruir o momento trágico, podemos também fazer um aprendizado daquele evento. Isso alivia a dor. Mas, será que relembrar a situação traumática não é pior?



É exatamente isso o que os traumatizados pensam. Lembrar outra vez da dor? É como se o indivíduo voltasse ao horror experimentado. Mas, se ele não falar sobre sua memória, não consegue dar significado e entender e processar o acontecimento. Falar modifica a interpretação. Converse com pessoas de confiança: amigos, familiares, alguém vinculado a sua crença religiosa. O mais importante é que possa de fato compartilhar. Não é falar para qualquer um. Deve ser alguém de confiança e que tende a te acolher.

Escrever também é um caminho. O publicitário Washington Olivetto escreveu durante o trauma (enquanto estava sequestrado). Certamente, isso o beneficiou. É um exemplo de superação.

Fonte: USP